14/12/10

Wikileaks

in: http://www.tvi24.iol.pt, publicado em: 07/12/2010:
 
"O BE vai criar hoje um site espelho do Wikileaks, www.wikileaks.liberdadedeexpressao.net link externo, para que este possa funcionar em Portugal, e que irá reproduzir na íntegra a página de Internet original e os conteúdos que lá forem colocados.

«O que está em causa é o maior combate pela liberdade de expressão na Internet desde que ela existe, há muitos cidadãos e grupos defensores da liberdade de expressão que neste momento ajudam o Wikileaks a reproduzir os seus conteúdos», disse à agência Lusa o deputado do BE Jorge Costa, sobre esta página que vai entrar em funcionamento dentro de poucos minutos.

Jorge Costa referiu que o BE «quer contribuir e quer que em Portugal haja muita gente a contribuir para que a ocultação e a verdade nas guerras e nos grandes interesses da economia mundial não passe por um silenciamento da Internet».

«Por muito que os poderes financeiros, militares, por muita que seja a pressão dos países mais fortes, a liberdade de expressão vai manter-se como uma referência na Internet, cabe à cidadania mundial responder a esses poderes», advogou.

O dirigente bloquista adiantou que o partido se inscreveu no site Wikileaks para disponibilizar um servidor que o acolhesse e reproduzisse os seus conteúdos, notando contudo que estes continuarão a ser inteiramente geridos pela organização.

No domingo, o Wikileaks, especializado na divulgação de documentos secretos e vítima de ciber-ataques, apelou aos internautas para criarem sites-espelho nos quais o seu conteúdo ficaria acessível, para tornar «impossível» a sua supressão da Internet através de «grandes ataques» informáticos.

A Amazon e a EveryDNS.net já cancelaram o domínio principal do site, wikileaks.org. Segundo o BE, a meio do dia de hoje já existiam 729 sites espelho instalados em diversos países."

in: http://www.tvi24.iol.pt (acedido em: 14/12/2010)

02/12/10

The Social Network



A extraordinária pertinência do tema desta obra, a fundação do Facebook, contrasta vivamente com o resultado final. A rede social Facebook veio revolucionar as relações entre as pessoas e o modo com elas lidam com a internet a um nível que ainda hoje não compreendemos e cujas consequências não podemos prever, no entanto, no filme, a dimensão do Facebook é relegada para segundo plano. Privilegia-se a construção do carácter de Mark Zuckerberg, brilhantemente interpretado por Jesse Eisenberg, um jovem com dificuldades de relacionamento, moralmente duvidoso, mas extraordinariamente dotado. Segundo o filme a ideia do Fecebook surgiu de uma zanga de Zuckerberg com a namorada e da sua vingança ao criar um site, a partir da rede existente entre os alunos de Harvard, onde se classificava a sensualidade das alunas. Daqui ao apogeu daquilo que viria a ser uma rede social mundial, assistimos através de flashbacks ao modo como trai o amigo que financiou o projecto desde o início, com dribla os criadores da rede de Harvard, enfim um percurso rumo ao sucesso tão rápido como trucidante para aqueles que se lhe atravessam no caminho.

O modo como a narrativa se desenrola é vertiginoso a ponto de muitas nuances do processo se perderem, e tendo como consequência a fraca construção psicológica das personagens, à excepção da do protagonista, das suas motivações, da complexidade da sua relação com Zuckerberg, e do seu destino. Tudo se concentra no alucinante processo de ascensão da rede, a custo da criação de um contexto consistente para o fenómeno. Ao público é dado o papel de juiz do carácter do protagonista, mas não lhe são fornecidas todas informações. Não compreendi a que tipo de curiosidade ou expectativas o filme poderia corresponder tantas são as minhas interrogações sobre o processo que ficaram por responder. O que movia tão friamente o fundador da rede? A vertigem do sucesso? O dinheiro? O seu desprezo pelos pares? O universo é profundamente masculino, como já viramos noutras obras de Fincher, e o ambiente de uma agressividade desprovida de emoções. Uma guerra que se trava nas teclas de um computador.

Texto: Ana Campos, in: portalcinema.blogspot.com
Vídeo: YouTube.com